19.9.07

Nós aqui dentro da bola azul

Hoje qro falar da relação homem/natureza, numa concepção que considera um e outro coisas mesmas. Prometo tentar fazer desta a última vez que escrevo a respeito disto pois a simples afirmação de que homem e natureza são a mesma coisa já denota a possibilidade de separação do homem e do ambiente.

Esta reflexão que escrevo aqui me veio hoje de manhã ao ler um artigo que defendia a construção de novas formas de relação dos homens entre si e com o ambiente que integram, algo extremamente comum em textos que abordam a crise paradigmática por que passa a espécie humana. Crise esta culpada pelos dilemas contemporâneos e pelos problemas socioambientais globais.

O artigo, que fala sobre a EA no processo de gestão ambiental, aborda as relações sociais e com o ambiente como coisas distintas uma da outra. Se considerarmos que homem e natureza não são coisas diferentes, podemos então afirmar que o desencantamento da humanidade provocado pelas máximas do consumo e da competitividade é uma dimensão fundamental das problemáticas globais contemporâneas.


Assim sendo, fica fácil compreender que o ambiente pessoal, interno (ecologia humana), só se completa na relação com o Outro (ecologia social) e com o meio (ecologia natural). Em outras palavras, é a interação entre o ambiente interno e o ambiente externo que caractreiza a personalidade das pessoas, moldando valores e comportamentos. Se torna, dessa forma, incoerente a concepção das relações sociais como algo distinto das relações com o meio.

É bem simples. O equilíbrio ecológico depende de harmoniosa e sadia interação de todos os elementos, bióticos e abióticos, que compõem o meio ambiente. Entre todos os níveis de complexidade da realidade, as conexãos devem estar estabelecidas, permitindo a ocorrência dos fluxos de energia e recursos.

Nas sociedades humanas, além de energia e recursos, os fluxos transportam também afeto e informações. São os fluxos e elementos básicos das relaçoes humanas. Sem a troca de informações e afeto, as sociedades trilham um caminho que tem o colapso atrás da porta final. Desencantadas e em crescente desconexão, as relações sociais representam dimensão central das problemáticas socioambientais.

Falta de afeto e centralização na produção de informações e conhecimentos são, ao meu ver, os elementos fundamentais da crise global. As pessoas não mais trocam olhares e carinhos. As grandes corporações midiáticas centralizam a produção e distribuição de informações.

O acesso a recursos (o maldito dindin) e energia (alimentos, água) é afetado em decorrência dos outros laços rompidos, citados anteriormente. Mas são considerados mais importantes que um abraço ou uma boa conversa.

Se queremos pensar em intervir enquanto cidadãos para a construção de sociedades sustentáveis, é fundamental a consolidação de novos padrões de relacionamento, buscando conexões harmoniosas entre as pessoas. Então não basta fazer reciclagem, plantar mudas de árovres e coisas do gênero,mas literalmente mudar a casa (oikos), sendo que a primeira casa de toda pessoa é sua mente.


Se queremos pensar em soluções para os problemas globais, precisamos compreender que, em toda esta diversidade que vemos, somos apenas uma bola azul que flutua no universo.

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14.8.07

Universo simbólico e o espantalho gramatical


No Brasil, a Educação Ambiental é um campo construído historicamente como a prática educativa do movimento ecológico. A estratégia de permanente questionamento e desconstrução dos padrões de relações e enraizamento dos valores, preceitos, princípios éticos, formas de visões e linhas de pensamento do movimento ambientalista que, complexo em si mesmo, possui diversas correntes.

Por aqui, a EA foi lapidada e fortalecida fora do contexto escolar. Delineando-se como um movimento de educação popular, configura uma espécie de subsistema do movimento socioambientalista que, ao tomar contornos deste, com sua crítica radical aos padrões tradicionais de relações pessoais, públicas, espirituais etc, se apropria de termos, conceitos, teorias e linhas filosóficas comuns aos ecologistas.

Esse processo histórico estabeleceu um universo simbólico e conceitual do movimento socioambiental, que exerce uma função aglutinadora, identitária, estabelecendo laços simbólicos e códigos comuns entre os militantes. Mas alguns acontecimentos recentes suscitaram reflexões sobre até que ponto tal universo simbólico é positivo e quando começa a ser um complicador.

Após o III EEEA – Encontro Estadual de EA de São Paulo, alguns feedbacks de pessoas que foram ao evento apresentaram um certo desconforto.

O encontro era o ponto culminante do processo de consulta pública à minuta da Política Estadual de EA, reunindo profissionais da EA das antigas e muitos jovens altamente engajados. Mas reuniu também muitos professores e jovens curiosos e interessados em conhecer melhor este campo que emerge em importância com a deflagração dos problemas ambientais na atualidade. Destes últimos, alguns disseram sentir-se perdidos no meio de tanta siglas desconhecidas e termos diferentes com os que estão acostumados.

REPEA, CJs, REJUMA, REABS, RUPEA, Coeduca, Cescar, Coletivos Educadores, Redes, socioambiente, pensamento holístico, sistêmico, comunidades de aprendizagem, ecoalfabetização, agenda 21, carta da terra, Tratado de EA para sociedade sustentáveis e responsabilidade global... e por aí vai.

Este universo conceitual acaba desenvolvendo uma função de duas mãos. Ao mesmo tempo que dá um certo sentido de coesão e serve como forma de distanciar das raízes culturais hegemônicas, entranhadas de valores capitalistas, patriarcais, industriais, as experiências dos últimos dias demonstraram que este universo conceitual pode também ser uma barreira para a participação de novos atores nesta cena.

E depois do boom das redes então, somada à forte ligação que o movimento ambiental estabelece com este padrão organizacional, surge também uma constelação de siglas que passam integrar esse universo simbólico e conceitual, fazendo-se presentes do cotidiano dos atores sociais envolvidos com a área, complicando ainda mais sua compreensão.

A Educação Ambiental assume uma postura altamente integrativa, até mesmo pelo viés transdiciplinar da temática socioambiental, que permite interfaces com inúmeros outros temas. Se propõe a dialogar com todos os grupos possíveis, tentando deflagrar processos de reflexão individual e coletiva sobre a postura que temos assumido perante Gaia e o que isto tem significado, com o intuito de construir novas percepções da realidade e novas formas de pensamento, alinhadas com os princípios da sustentabilidade.

Mas para ajudar a construir o “outro mundo possível”, a educação ambiental não deve descuidar da sua capacidade de agregação de novos agentes. Sobretudo nestes eventos, um risco muito grande é cairmos na arrogância do jargão.


É um verdadeiro paradoxo que nos suscita um importante questionamento: como manter e fortalecer esses laços identitários, que carregam uma crítica direta aos padrões de consumo e de relacionamento dos humanos entre si, com as outras formas de vida e com o ambiente e que, portanto, trazem grande potencial de permear novos símbolos no imaginário coletivo, sem que isso se torne um "espantalho gramatical" do movimento?

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2.8.07

Juventude sociambientalista cobra posição de Graziano sobre Tijuco Alto

Cerca de 50 jovens com idades a partir de 17 anos, integrantes dos Coletivos Jovens Caiçara e Caipira / REJUMA – Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade e outros grupos, pressionaram o secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Xico Graziano, a se posicionar oficialmente sobre a construção da Barragem de Tijuco Alto, no Rio Ribeira de Iguape.


A juventude socioambientalista, composta também por moradores do Vale do Ribeira, conversou com Graziano no dia 28 de julho, em São José do Rio Preto, após a Plenária Final do III Encontro Estadual de Educação Ambiental (EEEA). Os educadores e educadoras ambientais e instituições, redes e coletivos presentes no encontro aprovaram uma moção de repúdio à construção da barragem de Tijuco Alto, apresentada pelo CJ Caiçara.

O secretário se esquivou e afirmou que não deve tomar posição oficial no caso. “A Secretaria não tem posição quanto a essas questões. Nós não temos e não deveremos nesse momento ter”, declarou. Justificou dizendo que não poderia se posicionar em relação a algo que compete a outro órgão, no caso o Ibama, responsável pelo licenciamento. Entretanto, disse que, se for possível compensar os impactos, pode haver até “ganho ambiental”.

A cobrança foi realizada um dia após o governador José Serra vetar o Projeto de Lei que transformava o Ribeira de Iguape em Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental do Estado de São Paulo. Quanto ao PL, um assessor de Graziano informou que a propositura não pôde ser aprovada porque o Rio Ribeira de Iguape, estando nos territórios de São Paulo e Paraná, é um rio Federal. Neste caso, o projeto deve sair do legislativo federal.


O Secretário conversou com os jovens após manifestação durante a plenária final do III EEEA. Portando cartazes e mudas de árvores, repesentando a vida, e entoando frases como "Terra sim! Barragem não!" e "Terra pra plantar e não pra alagar!", a juventude demonstrou amplo descontentamento com o andamento do processo de licenciamento da Barragem de Tijuco Alto. Durante as audiências públicas, os argumentos das comunidades e os dados técnicos apresentados por pesquisadores, comprovando os altos impactos sociaoambientais e culturais que causaria o empreendimento, não estão sendo levados em consideração.


Durante a conversa, que durou pouco menos de dez minutos, Xico Graziano falou que não tem informações técnicas sobre as comunidades tradicionais que habitam a região. Apesar disso, afirmou também que a SMA possui técnicos que conhecem muito mais sobre o caso até do que os jovens que moram na área.

Disse também que não vai se esquecer daquele papo.

Confira mais abaixo toda a conversa da juventude socioambientalista com o secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Contexto
Único rio federal sem intervenções em seu curso com a construção de barragens, o Rio Ribeira de Iguape está na maior área contínua de preservação de Mata Atlântica do país. Hoje um empreendimento privado, a barragem de Tijuco Alto, põe em risco a área, considerada Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.

Tijuco Alto é um projeto da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do Grupo Votorantim. A proposta é gerar energia para a produção de alumínio em sua fábrica no atual município de Alumínio, antigo distrito de Mairinque. A resistência das comunidades locais e das organizações socioambientais tem evitado a concretização do projeto.

Com planejamento de 153 m de altura e 65 km de extensão para geração de 150 MW de energia, a barragem de Tijuco Alto foi considerada a maior ameaça à complexa diversidade socioambiental e cultural do entorno do Rio Ribeira de Iguape.

Já foram realizadas diversas manifestações populares contrárias ao empreendimento. O Relatório de Impacto Ambiental, confrontado com dados técnicos dos impactos que provocaria a barragem, mostrou-se inconsistente. Ainda assim o risco do Ibama aprovar o licenciamento é muito grande, já que o Ministério de Minas e Energia é favorável à construção.


Conversa com Xico Graziano

Bruno (Itanhaém) - Em nome dos Coletivos Jovens Caiçara e Caipira de Meio Ambiente e Rejuma - Rede da Juventude pelo Meio Ambiente, nós queremos saber a posição da Secretaria de Meio Ambiente e do Governo do Estado de São Paulo sobre a construção da barragem de Tijuco Alto e sobre a transformação do Rio Ribeira de Iguape num Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental.

Xico Graziano - “A secretaria de meio ambiente só tem uma função na vida, que é proteger o meio ambiente paulista. O que for possível pra exercer esse poder na fiscalização ou nas ações ambientais de São Paulo, nós existimos pra isso. Nós não permitiremos que ações sejam feitas com prejuízos ambientais, ou com problemas ambientais que não possam ser mitigados. É assim que estabelece a legislação brasileira. Às vezes você vai construir uma rodovia, como o Rodoanel, em São Paulo. Ele corta a região do Guarapiranga. Então, pra permitir ao Rodoanel existir você exige uma série de compensações ambientais que eles foram obrigados a fazer. A mesma coisa com o aeroporto. Vai precisar construir mais uma pista lá em Cumbica. Então tudo bem, você precisa da pista, só que vai construir num local que tá lá a vegetação, um pequeno córrego. Tem que fazer a mitigação, a compensação. Tem que saber como é que o dano ambiental, nesses casos inevitáveis, como é que ele consegue ser controlado e acaba tendo, ao invés de prejuízo, ganho ambiental. Se for incompensável as obras não podem ser feitas.

JNI* - Mas os impactos no Rio Ribeira de Iguape serão enormes. Não tem como compensar a perda de uma riqueza como aquela!

Graziano - Quem diz isso é o EIA-Rima.

Lohan (Cananéia) - O EIA-Rima foi feito pela CENEC, o mesmo pessoal que era da Camargo Correia, que já fizeram barragens com falhas. O Vale do Ribeira é o que sobra de Mata Atlântica aqui no nosso Estado. Durante as audiências públicas, todo mundo viu, foi uma grande palhaçada, o Ibama presenciou! Eles ficaram sem resposta para todos os argumentos técnicos...

Graziano - O licenciamento é o Ibama que está fazendo. Se estivesse na nossa Secretaria eu teria que ter uma posição um pouco mais decisiva talvez. Mas nesse caso o licenciamento é do Ibama. Nós estamos acompanhando. Nós tínhamos muita gente lá nessa audiência. Haviam projetos de três barragens. Duas delas eram inaceitáveis. E de cara já foram abandonadas. Resta agora a de Tijuco Alto. O Ibama diz, esse problema quem resolve sou eu. Tirou do Estado de São Paulo, vocês sabem disso. Então nós estamos lá, acompanhando o resultado das audiências.

Vanessa (São Vicente) - Mas o Governo do Estado dever ter uma posição...

Lohan – O Ministério de Minas e Energia teve um posicionamento totalmente tendencioso...

Graziano - Vamos acompanhar as audiências. Outras audiências serão feitas... Isso nós temos que, nesse caso, em alguns casos. Foi como o projeto de lei. Você tem que seguir a legislação brasileira. Não adianta, a gente que é órgão público. Se tomar medidas, ou posições, ou ações que não têm fundamentação legal, vem o Ministério Público e te bota uma ação na cabeça. Então, essa questão da responsabilidade, de quem tá no poder público, às vezes você não é capaz de fazer o que gostaria porque não tem respaldo legal para isso. O Projeto de Lei tem esse problema, no caso, a base legal dele era muito frágil. Então não pode ser sancionado. Se o governador fizesse isso ele cometeria um problema. No caso também desse licenciamento que está sendo feito, como o Ibama tomou a si esse processo, nós estamos acompanhando, vendo que ele seja feito da melhor forma possível.

Thomas Enlazador (Olinda - PE) - Mas o peso do senhor, Secretário, é muito grande. Se o senhor já se posiciona politicamente contra uma agressão ambiental histórica que está sendo barrada há muitos anos... A discussão de Tijuco Alto já, desde a época do Fabio Feldman...

Graziano - Mas se é do jeito que você está dizendo o EIA-Rima não será aprovado. Porque a análise, o Estudo de Impacto de Ambiental mostra exatamente isso. Quais são os impactos ambientais, e como esses impactos ambientais podem, ou não, ser mitigados, serem amenizados, e quais compensações devem ser feitas. Essa é legislação. Esse é o EIA-Rima. Não quer dizer que não tem impacto. Sempre haverá impacto. Em qualquer coisa, inclusive no nosso caminhar. Andar de carro, vir fazer um Congresso desses... Existem impactos associados a todos eles.

Bruno - Tudo bem, secretário, mas qual a posição da Secretaria de Meio Ambiente sobre a construção da barragem de Tijuco Alto e sobre a transformação do Rio Ribeira de Iguape em um Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental?

Graziano - A Secretaria não tem posição quanto a essas questões. Nós não temos e não deveremos nesse momento ter.

Bruno - Não devem ter?

Graziano - Não. Não deveremos ter nesse momento posição sobre isso.

Bruno - E o motivo?

Graziano - Hãn?

Bruno - O motivo de não dever ter...

Graziano – É, não dever ter.

Cleber (Cananéia) - Você acabou de afirmar que o papel da Secretaria de Meio Ambiente é proteger o Meio Ambiente. Então dever ter um parecer.

Graziano - Proteger o meio ambiente não significa ter a mesma posição que vocês. COncordam com isso?

Bruno - Mas tem que ter uma posição.

Graziano - Não necessariamente. Minha posição é em defesa ambiental.

Lohan – Ou em defesa do dinheiro do Antõnio Ermírio de Moraes?

Graziano – Imagine.

Thomas - A Secretaria de Estado vai seguir a mesmo política desenvolvimentista do Governo Federal? Será que é esse o caminho?

Graziano - Acompanhem. Viram aqui hoje, tão vendo o que está acontecendo.

JNI - A gente não quer só acompanhar. A gente quer participar!

Graziano - Não sejam intransigentes. Defendam o seu ponto de vista...

Vanessa - Não é ser intransigente. Vocês representam o povo, e o povo não quer!

Graziano - Façam o que vocês estão fazendo. Continuem fazendo o que vocês estão fazendo, vocês estão certos. O mundo se move assim mesmo. Vamos ver...

Bruno - Mas pro mundo se mover de forma realmente democrática, atendendo as necessidades da maioria, a maioria precisa ser ouvida. E a maioria tá se manifestando. As populações locais estão se posicionando contra, a nação apóia, e mesmo assim, isso está encaminhando pra que saia. Por isso a gente pede uma posição.

Graziano - Eu não sei se está encaminhando pra que saia. De qualquer forma as audiências estão acontecendo...

JNI - Já aconteceram...

Graziano - (...) e as manifestações são muito fortes, contrárias, não é? Nós gostaríamos que nenhum rio tivesse mais hidrelétricas no Estado de São Paulo. Agora, essas decisões, tem as vezes outras influências. E nesse caso, o Ibama solicitou que ele fosse o responsável. E eu não posso, como homem público que sou, não posso ter uma posição se é um outro órgão que está fazendo. Vocês têm que entender isso. Não cobrem de mim o que eu não posso dar. Acompanhem as coisas como vão acontecer.

João Malavolta (Itanhaém) - E o senhor, sem ser instituição, como ser humano e cidadão. É a favor da construção?

Graziano - Eu não sou a favor de nenhuma barragem, hidrelétrica, antes de mais nada, porque sou um pescador.

Jovens - (gargalhadas)

Graziano - E sempre fui a vida toda. E sou um apaixonado pela natureza. Mas não é essa a questão. A questão é sobre as decisões públicas. Esse país vai enfrentar um apagão de energia daqui dois anos.

JNI - Se isso vier a acontecer, o senhor vai ficar chateado, vai tomar alguma decisão, ou vai aceitar numa boa?

Graziano - Não entendi a sua pergunta.

JNI - Se a barragem for construída. O Senhor disse que não é a favor como pessoa. E o senhor vai engolir isso?

Graziano - Se por ventura isso for necessário fazer e os danos ambientais que ela causará puderem ser mitigados ou compensados...

Vanessa - As comunidades Ribeirinhas não podem ser compensadas!

Graziano – Mas eu não tenho informações sobre isso. Técnicas.

JNI - Mas deveria ter!

Vanessa - As pessoas moram lá!

Bruno – Nós temos...

Graziano - Mas eu não tenho... eu não consigo saber de tudo.

Cleber - A Secretaria de Meio Ambiente não é a que protege?

Graziano - A SMA tem muita gente que sabe disso mais que vocês, podem ter certeza. Mas o posicionamento oficial da secretaria é outra coisa.

Lohan - Mais que as comunidades tradicionais eu tenho certeza que não!

Vanessa - Uma coisa é ir lá. Outra coisa é acordar e dormir lá. Viver lá.

Graziano - Nós estamos acompanhando. Nós temos técnicos que trabalham nesse assunto a mais de dez anos. Esse caso vem lá de trás, há mais de vinte anos. Desde a época do Montoro esse assunto já apareceu com as três hidrelétricas. Duas são completamente malucas. Esta tem um estudo que está com possibilidade de ser analisado. Eu não sei qual vai ser o fim disso. E eu não posso, e não devo, expor uma posição oficial da Secretaria sobre esse assunto. Ok?

Bruno - Ok.

Graziano - Mas eu não vou me esquecer dessa conversa que tivemos aqui hoje.

Vanessa - Até porque a gente não vai parar por aqui.

Graziano - Muito bem! Não parem, não parem.

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24.7.07

Diversidade na mudança

Do fundão vozes ressoam
quase nunca valorizadas
tudo vale, tudo é útil na inclusão,
na pluralidade da ampla participação

Vamos falando baixinho e chegando
mais perto, devagarinho,
um processo diferenciado,
lento, participativo, pensado.


Radical é o geral,
das partes pro todo e todo para as partes,
tudo junto misturado
se constrói a sólida arte.

A beleza de um rio está na sua complexidade,
o valor de uma pessoa está na sua vontade,
de fazer melhor e fazer diferente,
de tentar mudar agora com olhar à frente.


Arte é vida, vida é arte.
ilusões e fantasias, fenômenos e realidade
aquele que ama a vida tem como
premissa a diversidade.

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Notícias do III EEEA
Começa amanhã e vai até o dia 28 de julho, em São José do Rio Preto, o III EEEA - Encontro Estadual de Educação Ambiental - "Nas águas a EA: produções e políticas". É o ponto culminante do processo de consulta pública à minuta PEEA - Política Estadual de Educação Ambiental, que vai definir como deverá ser implementada a EA tanto no ensino formal quanto informal. Vai reunir educadores e educadoras ambientais de todo o Estado de São Paulo para pensar a construção da PEEA.

Esses eventos são extremamente ricos. Nos permitem o contato com experientes educadores ambientais, como com aqueles que estão começando a se interessar pela área, a enxergar o grnade potencial emancipatório e transformador que tem a educação ambiental.

Nos próximos dias pretendo registrar aqui com fotos, entrevistas, depoimentos e relatos um pouco dos bastidores do evento. Personagens da construção da PEEA, as conversas de corredor, momentos marcantes, as personalidades presentes, impressões de jovens e adultos, experientes e inexperientes etc.

Até lá!

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2.7.07

Pra você, o que é ser jovem?

Esses dias chegou um e-mail na minha caixa postal com a seguinte pergunta: "Pra você, o que é ser jovem?"

A pergunta faz parte de uma enquete que a ONG Aracati está promovendo para integrar um material destinado a Gestores Públicos sobre Políticas Públicas de Juventude. A resposta necessitava ser sintética. Fiz o possível para ser curto e grosso e ao mesmo tempo não ser totalmente superficial.

Minha resposta foi a seguinte:

"É viver uma instabilidade potencializada pela formação cognitiva, ética, espiritual, corporal e inserção ao sitema social. É viver uma grande responsabilidade, pois indívíduos em construção têm mais chance de construir um coletivo diferente. Ser jovem é ser considerado flecha, apesar de viver intensamente como flecha e como arco."

E pra você, o que é ser jovem?

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28.6.07

Costurando e construindo idéias no MSN

Sabe daquelas conversas muito boas que depois você fica se dizendo que gostaria de tê-la arquivada em algum lugar para posteriormente rever?

Pois então, dia 23 de junho eu e a Dani, uma amiga de São Paulo, batemos um longo papo por MSN. Estamos fazendo um curso na ONG Ação Educativa sobre “Cidadania e Direito à Educação”, voltado para o estudo da legislação educacional. Partindo de alguns acontecimentos do curso, conversamos sobre pensamento sistêmico, epistemologia e pardigma tradicionais, padrão rede de organização, educação escolar e educação popular, verticalismos... Uma conversa riquíssima!

São nestes “encontros” da vida que descobrimos o quê e quem somos, nossos valores, princípios... É também nestes encontros que articulamos nossas próprias idéias, a partir da idéia do outro. Hoje as tecnologias da informação e da comunicação nos permitem encontros diferenciados.


Nós Educadores Ambientais muitas vezes conversamos muito entre nós. É bom trocar essas idéias com "não convertidos". A Dani meu autorizou a publicar nossa conversa. Creio ser uma forma diferente de propor reflexões...

Obrigado e um bjo, Dani! ;)
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Dani – agora me conta como funciona o projeto [EcoCidadania, que estamos desenvolvendo em Peruíbe], tem ações tipo limpar praia, essas coisas? Ou é de discussão / Educação ambiental?

Eu – Educação ambiental. Limpar praia pode ser educação ambiental também. Se não se limitar ao mutirão, mas a um processo de mobilização e incentivo do exercício da cidadania... mas não consiste nisso não.

Dani – Sobre limpar a praia, sei que faz parte de uma conscientização.

Eu – Não, não. Se for elaborado pelos próprios jovens, e não só colocá-los pra catar lixo, faz parte de um processo que integra mobilização, mediação de interesses, capacidade de defender sua opinião, se expressar, planejar, organizar, envolver parceiros etc. Emancipação pura. Empoderamento para a ação!

Dani – É que isso já faz parte naturalmente da ação, no meu entendimento. Como participei da pastoral da juventude, que tem o princípio do protagonismo juvenil, não consigo imaginar diferente disso. Ainda mais te conhecendo tb...

Eu – Ahaha! Pois então, limpar praia também pode ser uma ação emancipatória. Mas acontece... e muito!

Dani – Bem, sei que gosta dos debates, das trocas de idéias, de planejar juntos... Até porque vive participando de “Encontros”... rsrs.

Eu – Ahuahu... Mas é! E tu também. Tua vida não é feita de encontros?

Dani – Mas é que na verdade, também por minha vivência com a pastoral da juventude, sinto falta de ações mais “mão na massa”, entende? Na PJ a gente debatia bastante, mas pra mim faltavam ações mais concretas.

Eu – O grande lance é esse. Fazer do processo educador um lance que articula a organicidade e o popular, com o erudito e sistematizador. Mas sei lá, o povo naquele curso não me entende quando eu falo de dialética entre educação popular e escolar...

Dani – Basicamente isso, teoria e prática juntas, se complementando.

Eu – Exato, o planeta não é um sistema de elementos interdependentes? Os processos cognitivos também. Por isso que hoje se fala bastante em transdisciplinaridade.

Dani – Mas nem eu entendo direito como está pra você este conceito. Como você vê esta possibilidade acontecer?

Eu – Hahaha! Simples, professor parar de achar que sabe mais que aluno e pai de aluno. Valorizar os conhecimentos anteriores como potencial de ampliação de visões e perspectivas. Processos participativos dentro da escola, envolvendo de forma horizontal e igualitária todos os atores escolares, do gestor ao tio da pipoca. Simples nem tanto neh... ahaha

Dani – Ah, ta! É simples sim... É só querer democratizar o espaço, surgem alguns problemas, mas também muitas possibilidades.

Eu – Charammmm!! Os problemas, surgem por quê?

Dani - Porque é difícil estabelecer limites.

Eu – Porque a nossa própria estrutura cognitiva é permeada de verticalidades... epistemologia tradicional. Olha os pressupostos, já conversamos sobre isso: objetividade, simplicidade e estabilidade.

Dani – Não, é que as pessoas têm características diferentes de personalidade.

Eu - Falei em organicidade, não falei lá em cima?

Dani – Que tem isso? Você usa um palavreado difícil de conceituar...

Eu - Pensa que o planeta é um organismo complexo justamente pq tem 30 milhões de espécies diferentes vivendo em harmonia, que através de suas relações de interdependência estabelecem um equilíbrio dinâmico. Ou seja, que desequilibra mas se realimenta e equilibra novamente e assim por diante.

Dani – O que quer dizer com estabilidade também?

Eu – Estável, estático. Por que, então, não podemos conviver com nossas diferenças??? Por que nossas diferenças têm de ser consideradas problemas e não solução??

Dani - Ah... é por isso que eu disse que surgem possibilidades e não só problemas. Por causa dessa dialética equilíbrio-desequilíbrio

Eu – Então começamos a amarrar as idéias... Agora, o processo de construção de conhecimento, os processos cognitivos... antes de construir, não desconstrói?

Dani – Sim, filho... rsrs

Eu – É a mesma coisa!!

Dani - É isso que tô falando... É que quando fala de educação popular e escolar parece outra coisa. Dá outra idéia. Agora que se explicou melhor, é exatamente o que eu acredito. E penso que muita gente ali do curso também.

Eu - Não, não é a mesma coisa... Sabe por que? Olha essa fase do Paulo Freire: "Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre". /Por exemplo, aquela professora Flavia Schilling falou lá no curso que a escola é a única instância capaz de perpetuar o conhecimento geração após geração. Não é a mesma coisa...

Dani – Eu não, entendo como educação escolar mesmo. A definição de educação popular eu entendo como "educação não formal". Quem é essa Flávia? Não me lembro. / Então, mas a educação popular do Freire é a escolar.

Eu - Tu não foi nesse dia. É uma professora da USP. Ela falou isso. / Ãhnn!??

Dani – Mas se ela acredita mesmo nisso, tá faltando ela olhar ao redor da escola. Mas deve ter sido em outro sentido, não?

Eu – Pois é, mas é uma professora da USP, convidada por uma instituição gabaritada como a Ação Educativa, e que falou isso pra 40, 50 professores... dá pra acreditar nisso?? Juro que eu achei isso muito estranho. Aí quando abriu pras perguntas questionei se tinha sido exatamente isso q ela tinha dito. Ela confirmou. Aí falei que pra mim ela estava completamente equivocada e que isso desvalorizava, por exemplo, todas as culturas tradicionais que não tem hábitos letrados. Uma visão totalmente eurocêntrica!

Dani – E o que ela respondeu?

Eu - Na hora nada... Depois que terminou ela veio me falar que falou isso porque a escola é a instância que sistematiza o conhecimento e permite a sua perpetuação histórica. Só que repito, ela falou isso pra 40 professores, uma professora da USP. E ainda confirmar depois... véio, ela tá formando professores! Aí esse povo sai de lá achando que é por aí mesmo... Então a gente chega numa questão seriíssima. Óia o tipo de pensamento que baseia uma profissional que forma educadores.... Que, por ser professora da USP todo mundo fala óóóóó.

Dani – Por que num disse isso pra todo mundo?

Eu – Vai saber... neh!

Dani – É, até porque existe uma perpetuação histórica também de culturas pautadas na oralidade...

Eu – Exato!!! Aí a gente volta lá trás... “Como você vê esta possibilidade acontecer? Hahaha! Simples, professor parar de achar q sabe mais q aluno e pai de aluno. Valorizar os conhecimentos anteriores como potencial de ampliação de visões e perspectivas. Processos participativos dentro da escola, envolvendo de forma horizontal e igualitária todos os atores escola, do gestor ao tio da pipoca."

Dani – É, tem um povo "intelectualista" mesmo lá na USP.

Eu – Total! Acadêmico...

Dani – Equívocos, como você disse... por isso que normalmente sinto falta de "prática"... rsrsrs

Eu – E se pensar então no princípio básico do Coletivo Jovem essa Flávia surta! Jovem educa jovem... Hahaha! Educação popular segmentada! Vai falar isso pra ela... Então, o projeto é a minha prática. Jovem educando jovem, com base nesses pensamentos todos.

Dani - Bom, ela já deve saber que existe, só num deve ter vivenciado... Daí fica construindo "verdades equivocadas".

Eu – Pois é.... Aí tu pensa, se essa mulher tá formando educadores e pesquisadores e teóricos da educação, qual tipo de pensamento que está se disseminando? É um círculo de realimentação. Um sistema auto-replicante, ou auto-poiese, igual os sistemas naturais. Haha!! É muito doido isso...

Dani – Aii!!! Qdo você fala na linguagem "naturalista" vai ficando mais difícil de entender... rsrsrs

Eu – Hahaha! Já ouviu falar em ecoalfabetização?

Dani – Não, mas pelo jeito tô precisando... kkkkkkkkk

Eu – Ta, olha isso... “consiste na conscientização ambiental que deve partir de uma reconexão do ser humano com a "teia da vida" (CAPRA, 1996, pag 231), retomando os ensinamentos que a natureza lhe argüi, ecoalfabetizando-se. Ser ecologicamente alfabetizado, ou ecoalfabetizado, significa entender os princípios de organização das comunidades ecológicas (ecossistemas) e usar esses princípios para criar comunidades humanas sustentáveis. Assim, se faz necessário fazer com que as comunidades humanas se ecoalfabetizem, para que esta possa rever a reconsiderar os seus valores (administrativos, políticos e educacionais, econômicos), quebrando os velhos paradigmas mecanicistas/positivistas estabelecidos, de modo a permitir uma nova possibilidade de convívio humano baseado na eqüidade biocêntrica.”

Dani – Agora me explica: os jovens entendem sua língua? Rsrs.. Bom, acho que é isso mesmo que você faz.

Eu - Biocentrismo... a vida é o centro!

Dani - Aha! Aprendi por outra linguagem, mas já estou ecoalfabetizada!

Eu - Aí olha essa outra frase do Paulo Freire... “O sujeito pensante não pode pensar sozinho; não pode pensar sem a co-particpação de outros sujeitos no ato de pensar sobre o objeto. Não há um ‘penso’, mas um ‘pensamos’. É o pensamos que estabelece o penso, e não o contrário. Esta co-participação dos sujeitos no ato de pensar está na comunicação. O objeto, por isso mesmo, não é a incidência terminativa do pensamento de um sujeito, mas o mediador da comunicação”.

Dani – Paulo Freire é o cara mesmo. Mas qual a relação que você faz com o que tava dizendo?
Eu – A relação é com o padrão organizacional rede, em que o foco está nas relações e não nos elementos... O que o Paulo Freire diz é que a sua educação não se dá em você, mas numa linha invisível chamada comunicação... Tu nunca pensa, mas pensamos... E se o foco não está na pessoa, mas nas relações que a gente estabelece, não há hierarquia!

Daní – Eita, vejo seu olho brilhando falando disso... rsrs

Eu - Ahaha... agora entende porque educomunicação?

Daní – Acho que inicialmente sim... rsrs

Eu – rsrsrs

Dani – Mas, num sei porquê, tenho a impressão de que você ainda vai me trazer muito mais elementos a respeito... rsrs

Eu – Ahaha! Com certeza... to aqui pra isso! Aah...e quanto aos jovens, eu procuro pesar a linguagem de acordo com as pessoas com quem estou lidando são capazes de compreender! Agora, com relação à professora Flavia Schilling, olha esta outra frase: "Existe uma interação dinâmica, dialética, entre sociedade e educação, ou seja, a educação reflete, como um espelho, os valores de uma determinada sociedade ou cultura". Ou seja, paradigima, epistemologia... Refletida na educação. É óbvio, mas ás vezes a gente não se atém ao fato de que a educação é um processo que pode ser editor ou reprodutor. Se é reprodutora a gente volta lá na autopoiese... um sistema autoreplicante!

Daní – Ah é!

Eu - Pois é! Aí tu pensa de novo, “se essa mulher tá formando educadores e pesquisadores e teóricos da educação, qual tipo de pensamento que está se disseminando?” É um círculo de realimentação... ou autopoiese.

Dani - Então... a luta é difícil rapaz.

Eu - A luta é um processo...

Dani – Porque a sociedade tá sempre se realimentando de conceitos equivocados e fragmentados.

Eu - Lembra dos pressupostos epistemológicos tradicionais? Estabilidade, simplicidade e objetividade. Hahaha!

Dani - Num precisa falar tão difícil, mas é isso mesmo. Só me explica a idéia de estabilidade.

Eu - Aah tah... Quantas vezes tu não ouviu alguém falar: “as coisas são assim mesmo, não tem jeito”? A idéia é de que existe linearidade na vida. Impossível conceber isto se tu parar pra pensar na tua própria!

Dani - Claro! É justamente o contrário de estabilidade! É movimento...

Eu – Então, equilíbrio dinâmico! Processo cognitivo que desconstrói pra construir... Objetividade: foco na pessoa. O Paulo freire, com aquela frase, já explicou bem q não é por aí neh? Vou acabar te deixando doida desse jeito... ahaha

Dani – Não mesmo! Não é difícil, pq acredito nesta interdependência tb. Só não entendi pq estabilidade, equilíbrio dinâmico faz mais sentido.

Eu – Física...

Dani – Ah!!!!!!!!! Agora tá explicado! Física eu num entendo mesmo! kkkkkkkkkkkkk

Eu - Descartes e Newton: o planeta como máquina. As máquinas são estáveis... mas não são vivas.

Dani – Agora sim você quer me deixar doida... hehehhe

Eu – Ahuahu! É porque eles concebiam o planeta como máquina. Pensa nos pressupostos. Objetividade: os componentes das máquinas estabelecem relações lineares. Não dependem do outro pra funcionar direito...

Dani – Já que falou dos 2, explica a simplicidade também

Eu - Simplicidade... Quanto mais fragmentado, mais em partes, mas fácil de estudar, só q aí tu elimina as relações que o objeto de estudo estabelecia com os outros elementos... interdependência. Tipo o corpo humano: o cara tira o coração pra estudar, mas o coração só exerce exatamente seu propósito, da forma que é de verdade, quando se relacionado com os outros órgãos...

Dani - Você já assistiu "Ponto de mutação"?

Eu - Ainda não... sou doido pra assistir!

Dani - Tudo a ver com o que tá dizendo!..........

Eu – Então... quero muito assistir! Tem um brother meu que falou que se eu assistir aí é que eu fico doido de vez! ahuahua

Dani – Acho que não. Quando você assistir, aí é que ninguém te segura nas suas crenças mesmo! Rsrs... Qual é o nome do que propõem no lugar dos "pressupostos epistemológicos tradicionais"?

Eu - Pensamento sistêmico.

Dani – Ah.........

Eu - Entender que a realidade é feita de diversos níveis de realidade sistêmica. Todos interconectados. Olha o brócoli da foto... [coincidentemente, minha foto no MSN era um fractal brócoli]. Olha essa foto com carinho.


Dani – Isso é um brócolis?

Eu - Aham... um lindo fractal!

Dani - Ah tá...

Eu – Dá uma busca no wikipedia por "fractais". O universo tem o mesmo padrão estrutural que um brócoli! Não é loko isso? Só que então, até agora a gente não falou de uma coisa muito importante e que também é extrema e diretamente afetada por tudo isso que a gente falou aqui... carinho. A afetividade. Algo extremamente importante se pensarmos que o planeta Terra é uma "comunidade de destino comum".

Dani – Vixi, agora sim pirei!

Eu – Hehehe! Agora, partindo dessa relação micro e macro. Tu já deve ter visto / ouvido aquela famosa frase do Ghandi: "Torne-se a mudança que quer ver no mundo".

Dani – Sim...

Eu – Agora veja esta paralela... "As estrutruras só se refletem na sociedade porque estão enraizadas em nós". Micro e macro. Como um fractal... Auto-replicante...

Dani – E onde entra afetividade?

Eu – Ãhn... objetividade. Foco nas pessoas, não nas relações. Se não dependo de ninguém posso ser individualista (neoliberalismo!!!). E, portanto, egoísta...

Dani – Então, no lugar da objetividade, afetividade?

Eu – Não... intersubjetidade.

Dani - Argh!!!

Eu – Aceitar as descrições e visões dos outros para construir a nossa. O “pensamos” estabelecendo o “penso”.

Dani - No lugar da simplicidade, complexidade?

Eu – Meu, vou até guardar esta conversa... muito boa! Exato!! Olha o fractal brócoli... diversos níveis sistêmicos interagindo dinamicamente e trocando constantesmente energias e recursos... complexidade!

Dani - No lugar da estabilidade, dialética?

Eu – Não não... instabilidade msm

Dani – Ah.........

Eu - Mas aí tu tem q incluir a intuição, o instinto... tudo isso na construção do conhecimento. Coisas que hoje a racionalidade repudia. Tipo, dizem que a logos - razão é a primeira instância do homem... Não é isso que os socráticos estabeleceram? Hoje caras como Leonardo Boff defendem que não, que a primeira instância do homem é a pathos - sensibilidade... primeiro nós sentimos, nos emocionamos com as coisas. Primeiro elas nos "afetam" de alguma forma, depois é que a gente racionaliza.

Dani – Claro!!!!!!!!!

Eu - Entendeu mais um pouco a relação com a afetividade?

Dani - Aham! Puxa! como é lindo um fractal! Rsrsrsr... Quando for comer brócolis, vou olhar com outros olhos.... rsrsrsr

Eu - Rsrs... tem vários tipos!

Dani - Vi na wikipedia uma outra foto mesmo... fiz toda lição de casa rapaz!

Eu - Boa garota... rsrs

Dani - Rsrs... Só num descobri do que se tratava porque num baixou a legenda... rsrsr... Gostei do nosso papo.

Eu - Ooo eu tb!!! Poucos são tão construtivos...

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24.6.07

Aproprie-se!

Marcelo D2 também pode ser Educação Ambiental.

Fração da música "Gueto"

G-u-e-t-o! ce sai do gueto mas o gueto não sai de você!
Re-vo-lu-ção! tudo que eu preciso e de um mic na mão!
E não preciso abaixar minha cabeça
E nem preciso falar mau de ninguém
O que eu preciso é me focar no meu trabalho
Me focar na minha família
Que ai o meu sucesso vem!
Rema rema
E não sabe o que quer
Pra quem não sabe que caminho vai, pega um qualquer!
Me diz ai!
Vai ficar sentado no gueto
Ou vamo ser parte de algo e escrever o enredo?

Você quer sair do gueto
Mais a sua mente é o gueto
Você quer fugir do gueto
Mas o mundo inteiro é o gueto

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