18.6.07

Inação, Educação Ambiental e "um outro mundo possivel"

Um artigo publicado hoje no jornal Folha de São Paulo (Sob o signo de Cassandra - Marcelo O. Dantas - Pág 3) abordava uma questão bastante presente em nossa realidade: o conformismo, a alienação e a inação do povo brasileiro.

Nós educadores ambientais lidamos diariamente com processos participativos, afinal a democracia radical é um de nossos princípios, e realmente é perceptível que não existe no brasileiro uma cultura de participação. Isto, creio, poucas pessoas podem contestar.

Esta participação a que me refiro pode ser compreendida em sentido totalmente amplo. Se refere desde ao hábito de se posicionar em questões públicas, reivindicar, ocupar espaços de participação e mobilizar-se até àquela criança que não tem medo de se colocar, de fazer perguntas, de questionar o professor quando em grupo. O brasileiro, de uma forma geral, não tem este costume.


E não se trata de inépcia.


No texto, o autor faz uma analogia com a conhecida história do Cavalo de Tróia. "Tal como os cidadãos de Tróia, que, em sua exaustão, após dez anos de guerra, desdenharam dos alertas de Lacoonte [que avisou do perigo que representava adentrar à cidade de Tróia com o "presente"], assim os brasileiros parecem hoje cansados de lutar por um país melhor, encontrando desculpas de toda sorte para aceitar como corriqueira a série interminável de abusos que vêm sendo perpetrados por nossas classes dirigentes".


Os troianos, cansados e exaustos com os 10 anos de guerra, não pestanejaram. Aceitaram prontamente o "presente", sem questionar. Depois de colocá-lo para dentro da cidade, trataram de comemorar com uma festa farta de comidas e bebidas. No meio da noite, silenciosamente os gregos saíram do cavalo de madeira. Com os troianos bêbados e sonolentos, não encontraram muita dificuldade para destruir Tróia e resgatar a princesa Helena.

As pessoas no poder podem ser consideradas os gregos. Sempre que se vêem em uma situação ameaçadora inventam alguma artimanha para safar-se. Não importa o quão absurda é a artimanha. Uma das maiores características da classe política brasileira é a cara-de-pau.

Os troianos representam o povo brasileiro em geral. Cansado de tanta corrupção e impunidade, encontra argumentos para justificar o conformismo frente às bandalheiras cometidas pelas classes dominantes. O pensamento que vale é o de que não adianta fazer nada, afinal de nada vai adiantar.


Dia após dia os jornais chegam às bancas repletos de notícias sobre corrupção. São escândalos que até recebem apelidos. Muitas vezes mais de um escândalo estoura no mesmo dia. Como a sociedade compreenderia, se muitas vezes os mesmos sujeitos integram mais de uma bandalheira simultaneamente? Com os escândalos apelidados fica mais fácil das pessoas reconhecerem qual é a podridão de que se trata. Assim se evita confusão.


E nós, educadores ambientais. Qual o nosso papel frente esta realidade?


A situação se mostra tão enraizada que assusta. Quantas vezes não chegamos nas comunidades e identificamos diversos problemas socioambientais que para a própria comunidade não são problemas? Ou então problemas que não sabem como resolver e, portanto fazem o possível para se adaptar a ele. Não podemos dar às pessoas as respostas para todos esses problemas. Mas podemos mostrar a elas que, juntas, podem fazer muito.


E é isso que muitas pessoas não entendem na Educação Ambiental. Pensam ser uma modalidade educativa voltada a ensinar às crianças os nomes dos "bichos" e das plantas, ou a transmitir as técnicas da coleta seletiva e como se dá o processo de reciclagem.


O meio ambiente é composto também por todos esses acontecimentos torpes que somos obrigados a digerir diariamente. A Educação Ambiental deve criar condições para que as pessoas passem a participar ativamente deste ambiente. Da forma que preferirem, do jeito que acharem melhor. Isto é, empoderar. Afinal, só com a mediação e articulação das contrariedades, das diversificadas intenções e visões de mundo, das muitas dimensões que compõem nossa existência é que se pode pensar em construir sociedades sustentáveis. E isto só acontece em sociedades livres, autônomas e emancipadas.


Não se trata de incentivarmos o resgate da "luta de classes". Como falei, trata-se de mediar contrariedades. E assim, basicamente, mostrarmos às pessoas que os valores e idéias que embasam tais comportamentos podem ser reproduzidos, ou questionados a partir da construção de novos valores. Ou seja, que tal concepção de mundo não vai muito além do umbigo de cada um e que não participar é reproduzir tudo o que repudiamos.


Ao Educador Ambiental, cabe religar os laços que nos distanciam uns dos outros e de tudo. Cabe religar os laços que nos impulsionam a agir. Cabe acender, no interior dos sujeitos, aquela chama que diz que o mundo não é assim, mas que ele está assim. E que um outro mundo é possível.


Em resumo, fazer exatamente o contrário do que fazem histórica e sistematicamente as classes hegemônicas. Construir coletivamente argumentos para aceitarmos e compreendermos que o sonho não acabou e que podemos e devemos correr por ele. Sozinhos e com todos ao mesmo tempo.

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6.6.07

Para refletir

Discurso de Severn Suzuki proferido na Eco-92, quando tinha 13 anos de idade. É um soco na boca do estômago...

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31.5.07

Os aviões e as Rádios Comunitárias

A problemática ocasionada em São Paulo pela interferência, por parte de rádios comunitárias e piratas, em freqüências utilizadas para o contato entre torre de controle e aeronaves poderia servir de gancho para um debate aprofundado, elucidativo e construtivo com a sociedade. Mas como sempre, opta-se por culpabilizar os mais fracos ao invés de refletir sobre a raiz do problema.

Não se pode negar que tais veículos encontram-se em situação de ilegalidade e sujeitos às punições previstas em Lei. Isto é fato. Afinal funcionam sem permissão da Anatel e com freqüências que se sobrepõem ao sistema de segurança de grande parte dos vôos que são realizados no Brasil. Ao mesmo tempo não se pode negar que a legislação que trata das rádios comunitárias é altamente restritiva e, muito menos, questionar o importantíssimo papel que cumprem tais veículos nas comunidades onde atuam.

É mais fácil criminalizar as rádios do que questionar o porquê delas atuarem ilegalmente. O questionamento deveria ser considerada natural, afinal ninguém gosta ser adjetivado como "marginal e ilegal". Mas a corda estoura sempre do "lado mais fraco".

As pessoas não sabem, por exemplo, que os veículos de radiodifusão comunitária da capital paulistana tiveram de esperar mais de 8 anos para que o Ministério das Comunicações enviasse a habilitação, documento que permite a autorização do serviço em determinado município. Pois é, demorou de 1998, ano em que foi aprovada a Lei 9.612, até o final de 2006 para que tal habilitação chegasse. E enquanto isso, tais rádios ficaram impossibilitadas de legalizar suas situações.

É só um entre tantos outros exemplos. Mas que descortina a porta entreaberta que pode nos levar a reflexões mais embasadas sobre a questão.

Há um risco grande de, a partir da relação superficial que a grande mídia trata o tema, a sociedade demonizar as rádios e enxergar o fechamento delas como punição para "ilegais responsáveis". Isto é, a solução para o problema. Mas isto representa muito mais a busca por culpados do que por soluções propriamente ditas.

Aliás, a quem isto interessa?

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14.5.07

Mudanças no Ibama

FBOMS – Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais
para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento

Nota da Coordenação do FBOMS sobre as mudanças no MMA e no IBAMA

Frente às mudanças no MMA e no IBAMA anunciadas pela Ministra Marina Silva no final de abril e tratadas em reunião, no dia 2 de maio, na qual participaram o Secretário-Executivo e a Gerente-Executiva do FBOMS, assim como as seguintes entidades filiadas: ISA, WWF, Rede Mata Atlântica, CEBRAC, Rede Cerrado e SOS Mata Atlântica, a Coordenação do FBOMS, reunida no dia 10 de maio no DF aprova as seguintes avaliações:

O anúncio das mudanças ocorre em um momento no qual conflitos aparentes entre preservação ambiental e crescimento econômico que criam pressão para a flexibilização da legislação no âmbito do licenciamento ambiental estão cada vez mais explorados, distorcidos e deturpados pela grande mídia e setores do Governo. No entanto, entendemos que a idéia e concretização da nova estrutura do MMA não vêm de ontem, mas estavam sendo discutidas desde o mandato anterior do Presidente Lula e inclusive governos passados.

Acreditamos que os esforços do MMA são destinados a criar maior eficiência na gestão ambiental federal, eliminando sombreamentos e superposições de diretorias e gerencias, tanto no MMA como no IBAMA.

De fato, as mudanças no MMA estão destinadas para melhor lidar com os atuais desafios nacional e internacional como as mudanças climáticas, as energias renováveis, a questão dos agrocombustíveis, recursos hídricos, resíduos sólidos e florestas públicas. Finalmente o MMA criou uma secretaria para lidar com as questões do aquecimento global, a Secretaria de Qualidade Ambiental e Mudanças Climáticas. No sentido de demonstrar ao país que a questão das mudanças climáticas é principalmente um problema da manutenção do atual modelo de desenvolvimento incluindo o atual padrão de consumo e produção no qual o meio ambiente é um componente, e um dos maiores desafios que a humanidade enfrentará nos próximos anos e décadas, esperamos que o MMA de fato consiga assumir um papel de liderança na questão de clima, assumindo a coordenação da Comissão Interministerial de Mudança Global de Clima e defendendo uma efetiva Política Nacional para as Mudanças Climáticas e uma política nítida e eficiente de combate ao desmatamento. Com isso, irá assessorar melhor a Presidência da República para tomar as decisões corretas com vistas à próxima Conferencia das Partes (COP12) da Convenção de Clima no final do ano, bem como as decisões
conhecidas como transversais, que compete aos diversos ministérios e órgãos implementar.

A nova Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental será a secretaria para canalizar as demandas da sociedade civil, coordenando entre outras atribuições, a Conferencia Nacional do Meio Ambiente. Colocamos a nossa expectativa de que o conjunto das deliberações das Conferências não sejam meras e simples deliberações ignoradas pelo Governo federal, como foi o caso das deliberações contra os transgênicos e a transposição do Rio São Francisco, entre outras fundamentais. Esperamos e
entendemos, ainda, que os canais de interlocução entre o Ministério e a sociedade civil não dependam exclusivamente da nova Secretaria, mas que diálogos iniciados com o Gabinete, outras secretarias e departamentos, e nas várias instâncias de decisão de política pública, possam ser consolidados no sentido da maior participação popular na gestão pública ambiental.

A Agenda 21 brasileira, na nossa opinião, poderia ser um instrumento para melhorar o dialogo e a visão de integração e transversalidade de políticas públicas. No entanto, nos últimos anos, a ação do MMA em Agenda 21 foi muito concentrada em apoiar Agendas 21 locais. Assim, a Agenda 21 não deverá se limitar à importante esfera de mobilização de cidadãos.

Esperamos que a Agenda 21 receba finalmente a devida atenção como verdadeira ferramenta de planejamento participativo e ordenamento a ser usada de forma transversal entre todas as esferas da administração federal, estadual e municipal. Sem perder de vista a melhor relação e articulação com os órgãos internacionais que de fato defendam a sustentabilidade ambiental.

Para a Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável exigimos que ela possa atender aos desafios colocados com a expansão dos agrocombustíveis e na definição de uma matriz energética mais sustentável, e apoiaremos a posição de precaução e proteção socioambiental com relação a cultivo e processamento de agrocombustíveis. Reivindicamos, ainda, que a recém criada Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais seja valorizada e fortalecida. Da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, esperamos que ela se oriente pelas recomendações da Comissão Mundial de Barragens, visto que esta solicitação já foi encaminhada pelo FBOMS para a SRH. Para a Secretaria de Biodiversidade e Florestas adotamos o mesmo raciocínio como para as demais e esperamos maior eficiência e menos sombreamento e superposições de
programas e ações.

Considerando o panorama internacional, esperamos que as mudanças no MMA garantam a implementação dos acordos internacionais, como a Convenção das Mudanças do Clima, a Convenção da Diversidade Biológica ou a Convenção de Combate à Desertificação. O MMA deverá, desta forma, trabalhar para vir a assumir liderança no debate sobre a governança ambiental internacional e os processos de reforma do sistema Nações Unidas na área do meio ambiente e desenvolvimento sustentável, defendendo as sinergias das convenções e abrindo um diálogo com a sociedade civil – as empresas, ONGs, centrais sindicais e demais movimentos sociais – evitando que este diálogo se distorça. Com as mudanças no MMA, esperamos também que a cooperação internacional seja tratada de forma mais estratégica e integrada aos novos desafios que a Ministra Marina Silva está a indicar.

Uma das mudanças mais comentadas na mídia se refere à nova estrutura do Ibama e à criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Estas mudanças estão ocorrendo neste cenário de grandes pressões políticas tanto por parte de outras áreas do Governo como de grandes empresas, o que gera certa intranqüilidade. Não compartilhamos as avaliações e especulações da grande mídia alimentados por setores do governo e interesses do capital nacional e internacional dizendo que a pressão do PAC e da liberação de licenças de construção de grandes obras de geração de energia previstas fez com que a Ministra Marina, pressionada pela Casa Civil, anunciasse esta nova estrutura ministerial e a chamada "divisão" do Ibama. Acreditamos que a nova estrutura do IBAMA para a área de licenciamento deve sim ser fortalecida para dar mais qualidade às licenças. Esperamos que o Instituto Chico Mendes venha a realmente melhorar a gestão do Sistema Nacional das Unidades de Conservação no país,
assimilando as diversas contribuições que o socioambientalismo brasileiro conseguiu produzir.

Defendemos, sim, melhor diálogo com a sociedade sobre mudanças estruturais da administração pública e defendemos a necessidade de que a nova estrutura do MMA e do IBAMA seja seguida por uma real mudança de postura avançando na gestão democrática, integrada e transparente, com visibilidade.

Com relação ao licenciamento ambiental, concordamos com a Ministra Marina que afirma que "projetos importantes não podem passar por cima da legislação". Adiar o anúncio da nova estrutura que nas palavras da Ministra "atende a um sonho de muita gente" e fugir das especulações da pressão do PAC tampouco resolveria o problema, porque em breve "vem outra obra" e a situação se repetiria. Concordamos também com a resposta dada pelo novo secretário-executivo Capobianco: "quem licencia não é parte
interessada", quando perguntado sobre a possibilidade de criar um outro instituto dedicado exclusivamente à fiscalização dos empreendimentos. Outra agência nos moldes das atuais seria mortal ao desenvolvimento e a soberania nacional.

Frente a isso, a coordenação do FBOMS defende o efetivo cumprimento da legislação ambiental referente ao licenciamento, mesmo este estando sob cada vez maior pressão à luz dos empreendimentos do PAC. Esperamos que a nova estrutura do MMA e do IBMA contribua para o fortalecimento da gestão ambiental, da participação da sociedade civil nos espaços de tomada de decisão, maior controle social e transversalidade no âmbito da sustentabilidade socioambiental no Governo Federal. Esperamos que as
nossas expectativas não sejam frustradas e estas mudanças possam atender aos desafios socioambientais atuais e futuros, que – certamente - não serão poucos.

Coordenação Nacional do FBOMS:

Adilson Vieira – Secretário-Geral do GTA
Edinaldo Severiano – Presidente da Associação Alternativa Terrazul
Renato Cunha – Rede Mata Atlântica
Temistocles Marcelos Neto – Secretário-Executivo do FBOMS e Executiva
Nacional da CUT

Brasília, 11 de maio de 2007.
 

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22.3.07

Jornalismo para a sustentabilidade

Um acidente que não deve ser esquecido
Por Elizabeth Oliveira (*)

O acidente ocorrido nas instalações da Bayer CropScience, em Belford Roxo (Baixada Fluminense), no dia 16 de janeiro último, ao que tudo indica não cairá no esquecimento facilmente. A explosão de um tanque contendo o agrotóxico Tamaron foi controlada pela multinacional, mas as reações da sociedade continuam se multiplicando. A primeira delas foi uma representação junto ao Ministério Público Estadual e à Procuradoria da República do Rio de Janeiro, encaminhada pelo Fórum de Meio Ambiente e Qualidade de Vida da Baía de Sepetiba e da Zona Oeste, organização que já teve pedido de abertura de inquérito atendido para apurar as causas e conseqüências da explosão.

Ambientalistas e moradores da cidade estão organizando um abaixo-assinado, reforçando a demanda de investigação apresentada pelo Fórum, enquanto a Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) pretende convocar a empresa a depor em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), recém-protocolada, para apurar os Crimes Ambientais registrados no Estado nos últimos oito anos.

O ambientalista e coordenador do Fórum, Sérgio Ricardo de Lima, afirmou que o acidente “foi a gota que faltava para que a sociedade se mobilizasse e exigisse uma discussão mais aprofundada sobre a atuação da Bayer no Estado do Rio, a começar pela sua localização”. Segundo ele, a empresa chegou à Belford Roxo há cerca de 50 anos e com o crescimento da cidade atualmente está localizada em uma área urbana, cercada de residências e de todo tipo de estabelecimento. “É por essa e outras razões que na representação junto ao Ministério Público e à Procuradoria, o Fórum defende a transferência das instalações da empresa. É inadmissível que a produção de agrotóxicos e outras substâncias altamente tóxicas, além da incineração de resíduos industriais, estejam convivendo lado a lado com moradores que se queixam permanentemente de problemas de saúde em decorrência dessas atividades potencialmente poluidoras”, reforça o ambientalista.

Moradores sofrem com a falta de infra-estrutura nos arredores da empresa;
ao fundo, a "fumaça branca" da Bayer


O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alerj, deputado estadual André do PV, concorda com o teor da ação proposta pelo Fórum. “Acidentes piores podem acontecer a qualquer momento em Belford Roxo, principalmente porque os órgãos ambientais não têm condições estruturais para fazer um trabalho de fiscalização rigoroso em todas as instalações da empresa. Acho que o momento é oportuno à discussão sobre a necessidade de transferência da planta da Bayer. Não proponho acabar com as atividades da empresa no Estado, mas considero que as suas instalações estão hoje em uma área inadequada”, reitera o parlamentar a defesa que já havia feito no artigo “Uma calamidade ambiental ao nosso lado”, publicado na edição do Jornal do Brasil de 28 de janeiro último.

A Comissão de Meio Ambiente da Alerj, segundo André do PV, pretende convocar representantes da Bayer para depor na CPI dos Crimes Ambientais, não só pelo acidente, mas também pelas reclamações de moradores em relação aos problemas ambientais e de saúde que seriam decorrentes das atividades da empresa em Belford Roxo. Segundo o parlamentar, “se forem feitos exames nas comunidades devem aparecer problemas causados pela poluição industrial”.

A representação do Fórum solicita exatamente que seja feito um levantamento epidemiológico das comunidades que estão mais próximas às instalações da Bayer. A sugestão dada no documento foi de que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pela sua reconhecida capacidade em questões de saúde pública, seja responsável por essa investigação.

No acidente ocorrido nas instalações da Bayer ficaram feridos três funcionários que precisaram ser hospitalizados. Todos eles tiveram alta, entre os dias 24 de janeiro e 18 de fevereiro, segundo informações da empresa.

Ambientalistas Davson e Sérgio Ricardo lutam pela transferências das
instalações da Bayer de Belfort Roxo, ao fundo


A palavra do MP
O promotor Marcus Leal, da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Duque de Caxias, recebe nesta sexta-feira advogados da Bayer que responderão pessoalmente ao pedido de informações sobre a explosão ocorrida em janeiro e sobre as medidas de prevenção adotadas pela empresa. Responsável pela abertura do inquérito que está apurando as causas e as conseqüências do acidente, o promotor afirmou que não poderia adiantar qualquer detalhe das investigações, antes de analisar os dados solicitados aos órgãos ambientais e de ouvir os esclarecimentos prestados pelos representantes da multinacional instalada em Belford Roxo.

"Tenho informações preliminares de que não houve vazamento de substância tóxica durante o acidente, mas uma grande preocupação que tenho é com relação a riscos futuros nas instalações da empresa. No entanto, preciso analisar todos os dados solicitados antes de me pronunciar sobre o caso porque até agora o que eu sei sobre o acidente foi o que já saiu na imprensa", afirma. Ele acrescentou que a abertura do inquérito levou em consideração as informações sobre a explosão divulgadas pelos meios de comunicação.

Segundo Leal, além dos relatórios sobre o acidente a idéia também é de analisar o tipo de licenciamento que a empresa tem para operar em Belford Roxo. Quanto à demanda de transferência da planta da Bayer encaminhada na representação do Fórum de Meio Ambiente, o promotor foi cauteloso e voltou a reforçar que não gostaria de fazer nenhum julgamento prematuro da questão. Segundo ele, a empresa está atuando na cidade há cerca de 50 anos e o que pode exigir do empreendimento industrial é o cumprimento rigoroso da legislação em vigor, a fim de que as suas atividades sejam compatíveis com o tipo de licenciamento que possui, e com a garantia de equilíbrio ambiental e da saúde da população.

* Leia editorial "Independência, jornalismo de verdade", publicado no post anterior, para entender o objetivo desta reportagem. Produzida pela jornalista Elizabeth Oliveira, ela constituti um marco diferencial, pois foi patrocinada solidária e voluntariamente por diversos jornalistas ambientais que participam da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA), sendo veiculada espontaneamente por diversos veículos da mídia ambiental engajados em estimular e exigir maior investimento em jornalismo ambiental investigativo.


**Versão do Portal Ambiente Brasil

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21.3.07

Editorial

Independêcia, jornalismo de verdade
Por Bruno Pinheiro

Na vida tudo gira em torno de interesses. Sejam interesses pessoais ou coletivos, pro bem ou pro mal, tudo o que acontece é movido por uma ou mais intenções. A cobertura da mídia não foge à regra e o interesse maior dos proprietários de veículos de comunicação é, muitas vezes, manter o próprio veículo, que implica em gastos com estrutura, logística, recursos humanos, equipamentos etc. Outros podem almejar poder político, econômico, enfim, desejos mais amplos, mas a manutenção do veículo é sempre uma dificuldade latente.  

Para custear tais gastos, a maior fonte de renda dos veículos de mídia é a publicidade. E aí é que começa o joguete de interesses. Joguete que reflete na qualidade, aprofundamento e veracidade das informações que chegam à sociedade. É fácil entender esta lógica.  

Se imagine dono de uma grande indústria do setor químico. Você investe em iniciativas socioambientais, promove concursos de jornalismo e fotografia ambiental e, lógico, faz um baita barulho em cima disso, alocando quantias consideráveis para inserções publicitárias em jornais, revistas, sites, TV, na tentativa de relacionar a imagem da sua empresa à tão falada sustentabilidade. É o que se chama de "marketing verde".  

Mas por trás da imensa bondade que você pretende aliar à sua imagem institucional, há diversos impactos socioambientais de responsabilidade da sua indústria. Destinação irregular de resíduos tóxicos, ameaça à saúde pública, só para exemplificar. Aí, de repente, um daqueles veículos nos quais você injeta quantias substanciais publica matéria denunciando algumas dessas irregularidas. A lógica?  

Gasto fortunas com publicidade no veículo X. Ele fala mal de mim e eu paro de anunciar nele. Logo ele passará dificuldades financeiras e precisará do meu dinheiro novamente. Então ele deixa de falar mal de mim para voltar a lucrar com meus anúncios.  

Afinal, com o bolso não se brinca.  

Com o objetivo de promover reportagens investigativas totalmente independentes das políticas editoriais dos diversos veículos de comunicação, um grupo de uma rede de jornalistas ambientais deu início a um fundo para a viabilização de tais reportagens. A primeira, produzida pela jornalista Elizabeth Oliveira, muda o foco da cobertura sobre uma explosão na fábrica de agrotóxicos da Bayer em Belfort Roxo, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro.  

O acidente envolveu um agrotóxico conhecido popularmente como Tamaron, proibido em diversos países pelo alto nível de toxidade. A empresa divulgou bastante as medidas tomadas para a minimização dos impactos provocados pela explosão. Na reportagem que segue, publicada em duas partes você terá acesso á versão dos moradores e ambientalistas da região, as opiniões de uma neurotoxicologista e de advogados e uma entrevista com o diretor de Meio Ambiente da Bayer SA, Enio Viterbo.

Amanhã e depois serao publicadas a primeira e a segunda parte da matéria. A iniciativa, pautada pelo coletivismo e pela cooperatividade, leva a você jornalismo ambiental da melhor qualidade. Jornalismo independente. Jornalismo de verdade.

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8.3.07

Morte de garotos e garotas

E aí?? Ninguém vai fazer nada???
(*) por Denise de Mattos Gaudard
 
Como vão todos??  Como foi o dia de voces hoje??? 
Hoje morreu a Alana Nascimento. Ela tinha apenas 12 anos ......
Ela era uma menina, negra, franzina e morava numa favela...
Aposto como já tem gente lendo e pensando. E daí? 
 
Claro, ela não é uma menina que convive conosco, nem pensar em vê-la brincando com os nossos filhos nos nossos condominios-cada-vez-mais-parecidos-com-uma-combinação-de-presídios-com-campo-de-concentração.
Afinal, ela não é um garoto de classe média, branco, do qual todos identificamos de imediato quando olhamos para os nossos filhos. Mas ela, não .. para meninas e meninos como ela, passamos na rua e cruzamos com eles sempre com um ohar desconfiado, mesmo quando estão com uniformes escolares.
 
E daí?  pensam alguns, afinal, varios deles são "trombadinhas" em potencial, assaltam até quando vão ou voltam da escola. Não dá mesmo para saber quem é quem ... Devem ser observados até sumirem de nossas vistas. E Quando passam direto, nossa! aquele alívio !! Se foram .....  Já retiraram seus rostinhos negros, pobres e feinhos para longe de nossas consciencias .......
 
É Alana... parece que o Brasil não é mesmo um lugar para crianças como voce, sobretudo tendo origens como as suas ...
 
Ela era uma excelente aluna em seu colegio, tirava boas notas, era um exemplo e muito querida por todos  os que a conheciam .... professores, colegas, amigos e familia...
Era meiga, doce e tinha até grandes chances de sair do terrível círculo vicioso que já a condena à uma exclusão social mesmo antes de nascer, acorrentada a uma origem de pobreza renitente, condição maior encontrada em uma das nossas cada vez maiores favelas Segundo declarações, ela queria ser professora, queria ensinar as pessoas pobres como ela, tirá-las tambem de sua condição de pobreza e desigualdade... mas não Alana .....
o Brasil dos desiguais não deixou de novo e de nôvo e de novo!   Quantos deles vão ter de morrer desta forma tão inútil??  
 
E ai gente?? cadê a mobilização popular???
 
Não , ela não foi covardemente arrastada por 7 kilometros por facínoras .....
Foi arrastada pela eterna inépcia, pela falta de competência e pela completa falência do estado brasileiro e pelo abismo cada vez mais profundo que se forma entre as castas brasileiras.
Que classes sociais o quê gente!!!!! 
Já viraram castas mesmo!! Vamos assumir logo de uma vez o nosso potentado geo-socio-político brazuca!!!
 
Seu corpo franzino ficou horas no calorão esperando o rabecão e claro.. a imprensa só noticiou a sua morte porque ela teve a "sorte" de ser assassinada por uma bala perdida em mais um dos já rotineiros tiroteios entre a policia e traficantes. Despois de 11 horas no IML a familia não tinha dinheiro para enterra-la..
aah sim, a imprensa até deu uma (sic).. atenção ao fato.
 
Está cada vez mais difícil de ter orgulho de ser carioca gente. Desculpem o mau humor, mas estas eternas "diferenças de pesos" e a forma como cada caso de criança covardemente morta é demagógicamente tratado pela imprensa e pela sociedade brasileira me enojam e me envergonham. 
 
Ela foi arrastada pela nossa omissão, sim somos TODOS RESOPNSAVEIS pela morte dela. Matamos uma Alana todos os dias com a nossa alienada comodidade, pela nossa conivência com a inapetência e inépcia das autoridades públicas e a hipócrita sociedade brasileira !! O grande negocio agora é continuar rezando para não acontecer conosco nem com niguem a quem amamos... longe de nós....
 
Ela não é um menino nem uma menina da classe media que nem o pobre João Hélio. Que perdoem todos mas agora quem está com o peito engasgado e se sentindo embargada e envergonhada sou eu, por ter tão pouco a fazer para impedir que Joãos Hélios e Alanas morram às pencas nas favelas e por aí.....
 
Mas agora quero sinceramente saber de voces todos. A morte hedionda do pequeno João Hélio revoltou e mobilizou o Rio de Janeiro com um todo e até o Brasil inteiro, enquanto meninos e meninas iguaizinhos à Alana e até ao João Hélio morrem ÀS PENCAS E TODOS OS DIAS, tanto nas favelas quanto nas periferias mais pobres desse país de merda!  
 
E NINGUEM FALA NEM FAZ ABSOLUTAMENTE NADA!!!!
 
Será que nos identificamos mais com os Joãos Hélios do que com as Alanas ?????
 
Quero ver a mobilização..... aahammm revoltadissima da revista VEJA, gritando em letras garrafais em seu semanário e gastando borbotões de dinheiro em Outddoors por toda a cidade do Rio de Janeiro ( gastaram em São Paulo tambem? me digam !) cunhando a seguinte frase emblemática;
 
E AÍ?? NINGUEM VAI FAZER NADA ??
 
Aliás, eles podiam ter gasto este dinheiro promovendo alguma obra social para ajudar um pouquinho a evitar que a nossa sociedade excrecentemente DESIgualitária fabrique mais garotos como aqueles que mataram o Antonio.
 
Perdão Joãos, Hélios, Antonios, Perdão Alanas.....  
 
Aaah sim, enquanto isso, vamos às "boas noticias " para as castas de cima. Os pobres juizes estaduais acabaram de ganhar um mimo de seus colegas do ST e do imparcialíssimo pessoal do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Agora, os juizes estaduais tem o direito de ganhar mais do que o teto dos magistrados do Supremo, ou seja, estes pobres brasileiros  receberam o direito de ganhar mais de R$ 24.000,00 por mês, fora as mordomias, tempo de serviço menor do que o resto dos brasileiros, gabinetes com funcionarios ganhando mais de dez mil reais mensais, sem mencionar as vantagens das aposentadorias integrais.
 
E como o funcionalismo público assessor tambem baliza os seus salários pelos proventos destes sofredores já tão mal pagos iremos assitir em breve um "efeito cascata"  de reinvidicações destes pobres trabalhadores para que se "proporcionalize" tambem os seus salários. Afinal a nação brasileira é rica e generosa e eles, claro... fazem muito por merecer!  
 
E AÍ?? NINGUEM VAI FAZER NADA ????
 
 
(*) Denise de Mattos Gaudard é consultora de Gestão Empresarial e Ambiental. Participa do desenvolvimento de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) . Também ministra cursos e escreve artigos sobre MDL e Gestão Participativa em mídias nacionais e internacionais

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